As Dunas de Florianópolis

Uma viagem para aprender que: “Nem tudo é o que parece (na TV)”.

Essa seria a segunda vez que vamos para capital, um bate-volta no mesmo dia. Como sempre uma viagem muito tranqüila e algumas dores nas pernas e um cansaço normal das horas sentadas. Carros não foram feitas para pessoas com estaturas mais altas, o banco apertado é desconfortável, o presidente da General Motors deve ter 160 centímetros no máximo, carros para cinco pessoas é na verdade para duas senão quiser ter uma massagem de joelhos nas costas.

Não tínhamos nenhum plano de viagem, (nunca fazemos mesmo) pois somos meio-desbravadores (de asfalto certamente, destruição das matas e caçada de índios vamos deixar para os bandeirantes) e gostamos das surpresas de descobrir novos lugares e não de ficar preso num roteiro específico.

Assim de um lado para outro ficamos observando a paisagem, eu via o que tinha do lado esquerdo na janela e meu irmão na direita, minha irmã via a surpreendente vista do asfalto na frente, isso quando seus olhos estavam abertos, a combinação de carro e movimento torna um potente sonífero para ela.

Até que meu pai se lembra de um programa da TV sobre umas dunas de areia em Florianópolis, uma idéia ao primeiro ver sensacional para todos, pensa em dunas já lembra dos lençóis maranhenses, aquelas cenas cinematográficas: areia branquinha, um reporte sorrindo passando a sensação de melhor coisa do mundo,  da alegria de descer de tobogã, a alegria maior de ver outro caindo, aquela brisa suave, o perfeito paraíso arenoso! Apesar de que não gosto muito de areia se aventurar parecia legal.

É incrível como esquecemos que essa sensação de paraíso passa para nós quando estamos no maior conforto e sedentarismo possível. Sentado ou melhor deitado num sofá na sala tendo o único esforço de aperta os botõezinhos macios do controle remoto, entretanto ali é a realidade não existe sofá nenhum para sentar, você não esta na sala, você não esta protegido!

Chegamos e de cara já deslumbramos aquele Everest de areia e algumas pessoas aparentemente felizes, e outro ali mais felizes ainda alugando aqueles pedaços de madeira com ridículos apoio para os pés que codificaram como um “tobogã” com preços absurdamente mais felizes ainda (para eles), e como brinde um pedaço de uma certa cera para passar debaixo e escorregar mais facilmente, com certeza o dinheiro mais mal gasto em toda vida, veremos o porque.

A primeira coisa a fazer é tirar o tênis para andar naquela areia toda. O primeiro contato é estanho seus pés estão desprotegidos fica amostra para todo mundo: aquelas unhas horríveis, aqueles seus dedos tortos, seu mindinho esquisito e nem falaremos do perfume francês que sai deles.

Em contato com a areia a gravidade começa agir e eles afundam e a para tira-los necessita de um grande esforço puxando os para cima (para quem anda arrastando os pés é geralmente dificultoso) isso cria uma caminhada chamada: afunda-e-tira-seu-pé-da-areia, que gasta uma energia espantosa, maior do que a de apertar os botõezinhos do controle remoto que estamos acostumados, bem maior mesmo.

Até chegar em um ponto onde as outras pessoas estão fica-se cansado, suado e sem forças, nesse nível você acabou de sair do sedentarismo mortal e gordural que estava! Mas não é só de “afunda-e-tira-seu-pé-da-areia” que uma duna é feita existem outros fatores para deixar este passeio mais detestável. Pois até aqui você apenas deu uma caminhadinha.

Há algo infinitamente irritante nas dunas: O VENTO, não aquela brisa suave da TV e sim aquela rajada de ar de um furacão. Agora junta isso com mais areia vira um inferno, a combinação perfeita para ter um grande decepção com as famosas dunas.

No começo tudo bem, até damos risadas, pois o vento não deixa ninguém andar, produzindo alguns tombos a alegria de ver o outro sofrer é divertido até que ocorra consigo, o pior é os olhos que são alvos das rajadas de areia que parecem ter miras a laser que funcionam cada vez que você pensa em abri-los.
A TV não sopra pelos seus buraquinhos o vento que tem nesses lugares e nem a areia desertal que cega os nossos olhos, cadê o paraíso e o reporte sorridente nessas horas?
Pensamos: O que fazer se o vento não parar e a quantidade de areia voando cada vez aumentar? E o pior não tinha nenhum óculos, algo essencial naquela situação.

Mesmo assim fui tentar andar com o aclamado tobogã e é super divertido, desce numa velocidade boa, o ruim é tentar desviar das estatuas que não saem da frente esperando ter seus ossos fraturados e acabar com meu passeio com um grande tombo, coisas da inércia. Mas daí você chega lá em baixo todo feliz como uma criancinha e quando olha para trás: – “Que Merda!!! Terei que subir tudo isso!”

Utilizando a caminhada “afunda-e-tira-seu-pé-da-areia” tive que com um esforço herculiano subir tudo aquilo, quis descer do lugar mais alto para ser radical, e esqueci do meu sedentarismo onde meu único esforço é teclar e levantar um garfo de metal, agora tinha que carregar aquele tobogã maldito, com o vento contra cuspindo areia na minha cara que demonstrava meu enorme contentamento.

A primeira coisa a fazer quando chega lá em cima novamente quase automático é jogar aquele peso de madeira na areia com suas últimas forças desejando vê-lo partir em vários pedaços o que infelizmente não acontece, melhor seria se fosse a cabeça do Manézinho que te alugou aquilo com sua lábia afiada, que o fez acredita que aquilo seria divertido.

Alugamos para uma hora, porém em menos de trinta minutos já estávamos todos indo embora da nossa emocionante, fascinante aventura nas dunas de Florianópolis.

Levamos mais areia de lá do que qualquer caminhão conseguiria carregar. Nos bolsos, na blusa, a roupa toda cheia de areia, nem falarei da sensação horrível de ter areia nas partes íntimas que ocorria com quem caía do tobogã, o que por sorte não aconteceu comigo, mas pude ouvir as reclamações.

O ouvido e o nariz também não escaparam. Com papel higiênico tentávamos limpar as fossas nasais que nunca foram tão ocupadas, as orelhas então nem se fala, você passava o dedo e tirava aquela crosta de areia que mesmo lavando não saia, só com vários cotonetes depois poderia te-los limpos.

Para as mulheres foi um pouco pior por causa dos cabelos, minha irmã e Mama voltaram com toneladas de areia na cabeça que não saía facilmente, até nós que temos cabelos mais curtos estava cheio de areia.

As dunas assim não é um lugar tão ruim, estava pensando que se tivéssemos as roupas apropriadas talvez fosse muito divertido, analisando o episódio as melhores roupas para tal ocasião seriam as debaixo:

Ficaria perfeito!!! Agora se não tiver vento pode-se dispensar muitos desses acessórios e ser feliz!

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